quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O que é pior? Amar uma pessoa e sofrer por nunca contar isso pra ela ou se declarar e não ser correspondido? Será que a dor de não ser correspondido é a mesma de um amor platônico? A resposta pode ser diferente dependendo da pessoa. A minha resposta é que o amor não correspondido é muito pior.
Como sobreviver se a pessoa que você ama não sente o mesmo por você? Se você seria capaz de dar tudo o que tem para estar ao lado dela e, mesmo assim, ela não ligar?
Sabrina sentiu isso. Ela amava muito Ricardo. Era um amor às escondidas, ele não sabia dos sentimentos dela. Sabrina simplesmente aceitava em ser sempre a boa amiga dele. Aquela que sempre esta ali para ajudá-lo nas horas mais difíceis. Ele nunca desconfiou de nada. Sempre sorria como amigo, sempre a abraçava como amigo.
Essas coisas doem no coração da gente não? Ter ali, ao seu lado, a razão de sua existência. Poder tocar em sua pele. Poder sentir o suave e quente aroma que sai de sua boca. O calor que corre em seu corpo. Da vontade de gritar. De abraçar e dizer “Eu não respiro sem você. Eu não existo sem você.”
Sabrina se sentia exatamente assim. Foi ai que um dia, ela resolveu se declarar. Contar tudo o que sentia por Ricardo. Escreveu uma carta explicando tudo direitinho:
“Ricardo
Sei que você deve esta estranhando essa carta. Afinal, nunca te mandei uma antes não é mesmo? Enfim, não mandei por que sou boba. Tenho medo de sua reação. Do que você vai dizer quando terminá-la. De como vai agir comigo. Mais eu te peço meu querido. Seja qual for sua decisão, não me deixe.
Eu te amo!
Sei que você deve estar confuso agora. Mas se você não sente o mesmo que eu, novamente eu te imploro. Não se afaste de mim. Deixe-me ao menos as sobras de você. Deixe-me sua amizade, que já é o suficiente.
Beijo de quem te ama, Sabrina.”
Há. As sobras. Ela lhe pediu ao menos as sobras. Quantas vezes não queremos pelo menos isso não e mesmo? Pelo menos as sobras de um amor que nunca será seu por completo.
Ricardo atendeu ao pedido de Sabrina. Foi seco. Duro. Disse-lhe que não a amava como parceira, mas a adorava como amiga. E assim, Sabrina ficou com os restos de Ricardo. Com suas sobras.
Sabrina pensa da mesma maneira que eu. Ela sente em seu peito a dor de um amor não correspondido. Sente que perdeu a única ilusão de achar, pelo menos que Ricardo sentia algo que fosse por ela. Agora ela sabia. Sabia que é muito pior ter sua ilusão destruída.
O que é pior? Amar uma pessoa e sofrer por nunca contar isso pra ela ou se declarar e não ser correspondido? Será que a dor de não ser correspondido é a mesma de um amor platônico?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Calgary, 19 de outubro de 2009. Meu nome é Josh e hoje faz dois anos que estou trancado nesse hospital. As pessoas geralmente não enxergam o que está bem diante de seus olhos. Eu enxerguei e tentei avisar o que estava acontecendo, mas ninguém acreditou. Simplesmente me julgaram e me condenaram. Sou tratado como louco e sei que não sou. Lembro-me muito bem o que aconteceu comigo.
Era uma noite de lua cheia. Eu e meus amigos resolvemos acampar. Calgary era considerada uma cidade pacata. Não havia muitos crimes, apenas algumas lendas para amedrontar os turistas. Uma delas, é que na floresta morava uma criatura que, nas noites de lua cheia, corria pela mata em busca de carne humana para se alimentar.
Essas estórias começaram a surgir quando um casal de namorados desapareceu misteriosamente ao fazer trilha pela floresta. Nunca mais foram encontrados. Um mês depois, um grupo de jovens que acampavam próximo ao lago Green Vall sumiu sem deixar rastros.
Com a onda de desaparecimentos, a cidade pacata tornou-se assustadora. Os turistas já não nos visitavam mais e os próprios moradores tinham medo de sair de suas casas à noite.
Foi na tentativa de salvar o turismo da cidade, que decidimos acampar. Apenas para mostrar para esses supersticiosos que essas lendas não eram nada mais do que simples estórias de terror. Participaram do acampamento Jack, Karen, Lucy e eu. Confesso que no começo estávamos com um pouco de medo. Não que acreditássemos nas lendas da cidade, mas sim porque a floresta de noite era realmente assustadora. Não se ouvia nada, apenas o crepitar da fogueira que havíamos feito para nos aquecer do frio.
- Que tal se contasse umas estórias de terror Josh? – perguntou Jack animado.
- Nem pensar! – opôs-se Karen. – Tudo isso aqui já está sendo muito difícil pra mim.
- Aff... Como você é chata. Vou dar uma mijada. Volto logo!
- Espere Jack! Você vai sair nesse escuro sozinho? – perguntou Lucy assustada.
- E o que você quer? Que eu mostre meu pau pra todas vocês? Sessão de sexo só mais tarde.
- Grosso! – xingou Karen indignada, mas Jack já estava distante e provavelmente não tinha escutado.
Já havia passado quase quinze minutos e Jack ainda não tinha voltado.
- Vocês não acham que ele está demorando de mais? – perguntou Karen nervosa.
- Sim! – falei também preocupado. – Acho melhor procurar por ele. Vocês duas fiquem aqui ok?
- Nem pensar Josh! – disse Lucy agarrando-se em meu braço. – Você fica aqui. Jack só está fazendo uma brincadeirinha de mau gosto. Ele quer assustar a todos nós, típico dele.
De repente, ouviu-se um grito assustador que vinha do meio da floresta.
- Háaaaaaaa!
- O que foi isso? – perguntou Karen, tremendo de tanto medo.
- É... É a voz de Jack! – disse Lucy agarrada em minha cintura.
- Eu acho que ele não está brincando. – falei assustado.
Ficamos nos olhando por um bom tempo, quando novamente ouvimos os gritos de Jack.
- Nãããoooo!
- Josh! Estou ficando com medo.
- Calma Lu! Vou procurar por ele. Vocês duas, nãos saiam daqui!
Saí à procura de Jack, apesar da resistência das meninas. Os gritos já haviam cessado. Estava com muito medo. Seria possível todas as estórias serem verdadeiras? Existiria mesmo uma criatura na floresta?
Não demorei muito e logo ouvi novos gritos. Eram de Karen. Corri depressa de volta, a procura das meninas. Chegando lá, vi uma cena horrível.
- Hó meu Deus! – gritei desesperado.
Karen e Lucy estavam dependuradas numa árvore, os galhos enroscados em seus pescoços. Elas estavam com dois buracos no rosto, onde deveriam estar seus olhos. Estavam mortas! Minhas melhores amigas haviam morrido.

Ouvi um rastejar entre as árvores. Olhei para frente e vi uma criatura que me chocou. Tinha os olhos vermelhos como fogo, exalava um mau cheiro que embrulhava o estômago e era grande e negra. Não era desse mundo.
- Não se aproxime de mim! – gritei – O que você fez com Jack?
A “coisa”, que se aproximava cada vez mais de mim, fez um barulho ensurdecedor e por um momento, cheguei a pensar que ela estava soltando uma gargalhada.
Comecei a correr sem direção alguma. Podia sentir aqueles olhos atrás de mim. Sabia que ia morrer. Consegui chegar à beira da estrada. Vinha passando uma caminhonete e então, dei sinal pedindo socorro.
- O que aconteceu rapaz? – perguntou-me o motorista descendo do carro e tentando me acalmar.
- Estão mortos! Todos eles!
- Quem morreu? – perguntou-me ele, mas era tarde demais. A criatura apareceu por trás dele e com suas mãos como se fossem garras, arrancou o coração do homem.
Aos berros, entrei na caminhonete e acelerei passando por cima do monstro, que deu um grito horrendo. Dei a marcha ré e passei por cima dele novamente. Uma, duas, três vezes. Fiquei parado, observando a “coisa” aos poucos tomar a forma humana. Desci cautelosamente e percebi que o monstro, na verdade era Jack.
Consegui escapar, mas ninguém acreditou em mim. A policia acha que eu matei meus amigos e que, na verdade, sou o assassino de todas aquelas pessoas desaparecidas. O corpo de Jack desapareceu e nunca foi encontrado. Fui trancado nesse lugar de loucos como se fosse um deles.
Meses depois, o diretor do sanatório, me trouxe um presente. Era uma caixinha preta e vinha amarrada com um laço vermelho, acompanhada de um bilhete.
- Deve ser sua família mandando noticias. – disse-me ele retirando-se do quarto.
Li o bilhete ansioso. Estava escrito apenas um versículo da bíblia:
“Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.”
Mateus 5.29
Letamente abri a caixa e assustei-me com o que tinha dentro. Eram dois pares de olhos. Tentei gritar, mas duas mãos grandes e negras tampavam minha boca. Não conseguia respirar. Virei para trás estupefato.
Jack segurava uma faca e seus olhos vermelhos transpassavam ódio. Ele me encarava como um louco e sorrindo falou:
- Seus olhos agora são meus!
Gritei o mais alto que pude, mas quando os enfermeiros chegaram ao quarto ele já havia desaparecido, restando apenas o presente. Os olhos de Karen e Lucy me observavam.

Emanuell Andrade -
Conto!!!
Pode não ser uma história muito feliz a que eu vou contar agora, mais é uma história verdadeira.
Estava eu na minha casa, lendo meu bom e velho livro, coisa que eu faço sempre de costume, quando de repente alguém bate na minha porta aos berros. Confesso que fiquei assustado, afinal já passava das duas horas da manhã. Fiquei imaginando o que teria acontecido de tão grave para alguém chegar naquele horário.
Abri a porta devagarzinho. Era Pedro Henrique meu vizinho, com os olhos esbugalhados de tão nervoso que estava.
- Ricardo pelo amor de Deus, você precisa me acompanhar. - falou ele quase chorando.
- O que foi que aconteceu? - Perguntei preocupado.
- É Maria Luiza! Eu pedi pra ela não fazer isso Ricardo, mais ela não me ouviu. - Explicava ele.
- Mais fazer o que homem de Deus? - Insisti, já com raiva de tantos rodeios.
- De tentar tirar nosso filho. Ela tomou uns comprimidos e agora está lá, morre-não-morre.
Confesso que quando ouvi aquelas palavras, uma cólera subiu a minha cabeça.
- Ela fez o quê?
- É isso mesmo. Ela não queria ter essa criança de jeito nenhum. Eu tentei convencê-la a levar o bebê, assim que nascesse para um orfanato, mais não adiantou. Ela disse que não queria ficar feia. Que ficaria com o corpo cheio de estrias e celulite. Acabou tomando um remédio que uma amiga sua lhe indicou e agora está lá, sangrando muito.
Sinceramente não sabia o que fazer e muito menos o que pensar. Estava com ódio em saber que existia alguém tão cruel, a ponto de tirar a vida de uma pessoa inocente, que nem sequer pediu para existir. Fiquei um bom tempo imóvel, sem dizer uma palavra a ele. Sabia que Maria Luiza tinha cometido um crime horrível, mais também não podia deixá-la sangrando até a morte.
- Leve-me até lá. - Disse por fim.
Quando cheguei à casa de Pedro, encontrei-a no banheiro, gritando de dor. Rapidamente liguei para uma ambulância, que logo a socorreram. No hospital, Pedro e eu esperamos mais de duas horas por alguma notícia de como Maria Luiza estava. Não conseguia parar de pensar na criança que foi morta mesmo antes de nascer. Tentava me controlar para que meu ódio não fosse maior que meu espírito solidário. E Pedro Henrique estava realmente sofrendo por não saber nada de Maria Luiza. Depois de quase três horas o médico apareceu dizendo que ela tinha escapado por sorte e que já se encontrava fora de perigo.
Já faz três anos que esse fato aconteceu. Maria Luiza e Pedro Henrique continuam sendo meus visinhos. Todos os dias, eles vem me fazer uma visitinha e contar um pouco de seus problemas. Maria Luiza, há dois anos aproximadamente, tenta de todas as maneiras engravidar novamente. O doutor disse que ela não poderia mais ter filhos. Ela chora todas as noites, arrependida do que fez.
- Queria poder voltar no tempo. – Disse-me ela em uma de suas visitas a minha casa.
Fiquei satisfeito com o castigo que Deus lhe deu. Agora ela sabe como é querer algo que nunca poderá ter. Se não tivesse sido brutalmente assassinada, hoje Amanda completaria três anos de idade.

Emanuell Andrade

Crônica!!!
Desde pequeno, sempre ouvi meus pais me dizer que homem que é homem não chora. Nunca entendi realmente o porquê disso. Afinal, nós homens somos tão diferentes assim das mulheres? Não somos seres com sentimentos iguais aos delas? A questão é que de tanto escutar esse ditado, coloquei em minha mente que jamais poderia chorar. Acabei me tornando uma pessoa amargurada com uma mente cheia de pensamentos obscuros.
Quando minha mãe morreu, fiquei olhando todas aquelas pessoas chorando desesperadas. Papai ao lado do caixão dela, sem derramar uma lágrima sequer. Eles haviam brigado muito nesses últimos tempos e a doença de mamãe influenciou muito para que as brigas diminuíssem. Meses depois, ele estava casado novamente, com a mulher que esteve sempre no meio da confusão deles. Mamãe já sabia que meu pai tinha uma amante e foi nessa época que começou a adoecer. Sua nova esposa não brigava muito com ele, tinha medo de apanhar. Sempre apanhava. Essas relações frustradas só me levavam a crer que casamento era apenas uma grande dor de cabeça. Nesse período decidi nunca me casar, afinal, para que casar e viver infeliz pelo resto da vida? Casamento não é algo muito sério?
Comecei a fumar desde cedo. Segui o exemplo de meus avôs, com quem morei um ano. Fumava até três maços de cigarros por dia. Sabia que ia acabar morrendo de câncer, mas você sabe como é. Quem fuma nunca liga para esses detalhes. Certo dia, resolvi viajar. Na verdade era apenas um pretexto para fugir da cidade medíocre em que morava. Foi nessa viagem que conheci a mulher que mudou minha vida.
Simone era diferente de todas as garotas que já havia conhecido. Tinha o poder de conquistar qualquer homem. Sempre me perdia em seu olhar. Acabei me apaixonando e foi aí que quebrei uma de minhas promessas, a de não me casar. Com ela tive três filhos. Mateus, Gustavo e Alice.
O que uma mulher é capaz de fazer a um homem? A resposta é simples, ela pode acabar com a vida dele. Simone, a quem eu dei todo meu amor e fidelidade, me traiu com Rodrigo, meu irmão. Sofri tanto. Perdi duas pessoas que amava muito de uma só vez. Confesso que passei seis meses na completa amargura. Queria muito poder chorar para ver se diminuía toda aquela dor que estava sentindo. Mas me lembrava novamente de papai me dizendo: "Deixe de ser chorão Marcelo! Homens não choram. Isso é coisa de mulherzinha!"
Sofri calado, engolindo todas as lágrimas que insistiam em querer sair de meus olhos, simplesmente pelo fato do preconceito machista que a sociedade nos impõe todos os dias, de que homem pra ser homem não podia chorar. Comecei a viver apenas para meus filhos, as únicas coisas que me restaram. Trabalhei muito para dar sempre o melhor para eles. Tive uma recompensa que não esperava, nem desejava. Gustavo morreu de overdose numa festa em que os jovens chamam de have. Maldita heroína! Mateus acabou na cadeia por roubar uma bolsa de uma velhinha na rua. Alice, a única ajuizada da família, se casou e foi embora com o marido para o Canadá, me deixando sozinho.
Hoje moro num pequeno quarto de pensão. Solitário e sem vontade de viver. Olho para as estrelas e não vejo mais sua luz. Ando pelas estradas à noite e não sinto o vento frio em minha pele. Tento chorar, mas não consigo. Odeio meus pais e minha vida.
E assim, fui à farmácia comprar veneno para matar os ratos que teimam em me deixar acordado a noite, fazendo aquele barulho irritante em minha mente. Se você estiver lendo essa carta, é sinal que o veneno funcionou. Meus pensamentos me deixaram em paz. Os ratos estão mortos!
Emanuell Andrade!!!
Crônica!!!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Put´s... mó tempão que eu num escrevo no meu blog...
Tinha até esquecido como é bom expressar tudo o que eu penso e sinto aqui...
"Meus sentimentos"...
O tempo e a vida é algo que nos toma muito tempo ...
Acabei me acomodando e deixando de escrever...
Minha mente está novamente deixando-me confuso e com medo...
"Medo de ser feliz"...
Como eu queria ser normal... Como as outras pessoas normais...
Mas será mesmo que as outras pessoas são normais??????
Será que elas tbm não sofrem por terem problemas....?
Será que não são que nem eu????
Tenho uma capa que me cobre todos os dias, tentando mostrar ao máximo aos outros o que na verdade eu realmente não sou , mas que queria ser!!!

 
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