Pode não ser uma história muito feliz a que eu vou contar agora, mais é uma história verdadeira.Estava eu na minha casa, lendo meu bom e velho livro, coisa que eu faço sempre de costume, quando de repente alguém bate na minha porta aos berros. Confesso que fiquei assustado, afinal já passava das duas horas da manhã. Fiquei imaginando o que teria acontecido de tão grave para alguém chegar naquele horário.
Abri a porta devagarzinho. Era Pedro Henrique meu vizinho, com os olhos esbugalhados de tão nervoso que estava.
- Ricardo pelo amor de Deus, você precisa me acompanhar. - falou ele quase chorando.
- O que foi que aconteceu? - Perguntei preocupado.
- É Maria Luiza! Eu pedi pra ela não fazer isso Ricardo, mais ela não me ouviu. - Explicava ele.
- Mais fazer o que homem de Deus? - Insisti, já com raiva de tantos rodeios.
- De tentar tirar nosso filho. Ela tomou uns comprimidos e agora está lá, morre-não-morre.
Confesso que quando ouvi aquelas palavras, uma cólera subiu a minha cabeça.
- Ela fez o quê?
- É isso mesmo. Ela não queria ter essa criança de jeito nenhum. Eu tentei convencê-la a levar o bebê, assim que nascesse para um orfanato, mais não adiantou. Ela disse que não queria ficar feia. Que ficaria com o corpo cheio de estrias e celulite. Acabou tomando um remédio que uma amiga sua lhe indicou e agora está lá, sangrando muito.
Sinceramente não sabia o que fazer e muito menos o que pensar. Estava com ódio em saber que existia alguém tão cruel, a ponto de tirar a vida de uma pessoa inocente, que nem sequer pediu para existir. Fiquei um bom tempo imóvel, sem dizer uma palavra a ele. Sabia que Maria Luiza tinha cometido um crime horrível, mais também não podia deixá-la sangrando até a morte.
- Leve-me até lá. - Disse por fim.
Quando cheguei à casa de Pedro, encontrei-a no banheiro, gritando de dor. Rapidamente liguei para uma ambulância, que logo a socorreram. No hospital, Pedro e eu esperamos mais de duas horas por alguma notícia de como Maria Luiza estava. Não conseguia parar de pensar na criança que foi morta mesmo antes de nascer. Tentava me controlar para que meu ódio não fosse maior que meu espírito solidário. E Pedro Henrique estava realmente sofrendo por não saber nada de Maria Luiza. Depois de quase três horas o médico apareceu dizendo que ela tinha escapado por sorte e que já se encontrava fora de perigo.
Já faz três anos que esse fato aconteceu. Maria Luiza e Pedro Henrique continuam sendo meus visinhos. Todos os dias, eles vem me fazer uma visitinha e contar um pouco de seus problemas. Maria Luiza, há dois anos aproximadamente, tenta de todas as maneiras engravidar novamente. O doutor disse que ela não poderia mais ter filhos. Ela chora todas as noites, arrependida do que fez.
- Queria poder voltar no tempo. – Disse-me ela em uma de suas visitas a minha casa.
Fiquei satisfeito com o castigo que Deus lhe deu. Agora ela sabe como é querer algo que nunca poderá ter. Se não tivesse sido brutalmente assassinada, hoje Amanda completaria três anos de idade.
Emanuell Andrade
Crônica!!!

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